quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Nunca soube bem a razão de querer ser médica. Era um desejo inconsciente e, para mim, muito distante. No colégio, me abstinha das discussões do tipo "qual profissão seguir". Nunca tive contato direto com médicos.. na minha família? Nenhum. Então por que ser médica? Eu até tentei me enganar com a engenharia.. alguém lembra que eu gostava de física? hehe
Cheguei ao pré-vestibular e esse desejo permanecia em mim. Confesso, o desafio de passar no curso mais concorrido me instigava muito. Mas e aí? Era só isso?
Depois pensei que podia viver na África salvando criança. "É por isso que eu quero ser médica. Eu quero salvar gente".
Aí eu me esbarro com ele, sempre objetivo, calmo e paciente. De longe a gente não percebia o quanto ele carregava na cabeça. Hoje eu imagino que ele devia ter o Ângelo Machado na cabeça.. ou mais! Saber além do livro. E naquela época eu nem sabia que diabos é Ângelo Machado (nem sabia que, nesse curso, costumam chamar o livro pelo nome do autor). Logo me fascinei. Me sentia na faculdade nas aulas deles! Pensava: poxa, é isso que eu vou aprender.. e isso é só o começo.. e ainda tem muito mais! Unf!
Depois disso eu não precisava mais saber o motivo de querer ser médica: meu coração já pulava por esse curso. E, quando a gente sente, não precisa mais saber.. não tem escolha - é isso!
Dr Vicente, quem tinha o respeito de todos! Obrigada por ter sido uma inspiração para mim.
Lembro muito do final de uma das aulas de embriologia o senhor tirar os óculos e dizer: "Tem gente que se espanta com aberrações e síndromes que encontramos. 'Como é que isso pode acontecer?' elas perguntam. Pessoal, não se enganem: o inacreditável é dar certo!"
Descanse em paz, MESTRE!
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