domingo, 2 de setembro de 2012

Se você tivesse olhado, tivesse sorrido, tivesse parado. Ah, se você tivesse ficado mais uns segundos com o olhar no meu, eu poderia ter esboçado o meu melhor sorriso e te encantado. Nós ficaríamos constrangidos com essa troca de energia com um desconhecido, mas logo você mudaria de caminho e iria andar comigo. Eu ia te falar de como gostava de andar por ali e de como nunca tinha percebido olhos tão lindos naquela direção. Certo, você nem precisaria dizer como me achou bonita daquela jeito, suada e vermelha. Podia dizer que eu era engraçada e que, só passando, não ia imaginar o que encontraria atrás de uma franja desarrumada.
Eu chegaria em casa e tomaria banho pensando em você e ao dormir imaginaria seu cheiro. Será que ele usa aquele perfume tanto me hipnotiza? Não precisava me ligar. Eu nem ficaria chateada por não pedir meu número assim, de primeira. Eu até que ia gostar dessa de não ter contato até o dia em que você marcou de ver em frente daquele mar. Aquele mar que nem é tão bonito assim, que a gente sempre vê e sempre acha estranho que as pessoas mergulhem nele. Mas, a partir daquele dia, eu prestaria mais atenção nele e perceberia que, quando o sol tá se pondo, ele tem um cheiro diferente. Um cheiro de praia urbana. Um cheiro de muitas histórias que vão e voltam todos os dias e todas as férias.
Eu ia adorar sentir aquele frio na barriga que a gente sente nas nossas primeiras vezes. Certo, não seria meu primeiro encontro. Mas esse mistério de não ter contato virtual nesse mundo tão conectado me instigaria muito.
Você me perguntaria como foi meu dia e eu diria como eu estou empolgada com as coisas novas que estão acontecendo. Se o meu hematoma ainda não tivesse sarado, eu ia te dizer como eu caí tentando defender aquela bola no treino. Te diria as palavras em francês que eu tô aprendendo e, olhando pro nosso mar, ia te falar da vontade que eu tô de aprender surf.
Antes do sol sair, eu ia te escutar falando da faculdade que você não gosta e ia concordar com a tua vontade de sair por ai fazendo um mochilão pelo mundo. Quem mais, no meio desses 7 bilhões, ia topar sair por ai comigo? E sem data pra chegar nem pra voltar, por favor. Logo de primeira você me diria como tá sua mãe reclama de tudo. Eu abriria um sorriso sem graça e diria que ninguém resiste ao meu sorriso encabulado. Nós riríamos e falaríamos de como a gente se deu bem. De como foi bom parar e sorrir. Ou sorrir e parar. Tanto faz. Eu não deixaria você me levar em casa, claro. E completaria com um "as coisas não são assim." Dessa vez sairíamos com o telefone um do outro e seria reconfortante saber que manteríamos contato. É muito engraçado dizer o quanto eu já gosto de ti. A noite terminaria com o celular me mostrando uma mensagem que dizia que você queria me ver. Mandaria ele te dizer que eu quero o mesmo.
Não, a noite não terminaria assim. Como é que eu dormiria pensando em tudo que eu ainda tinha pra viver?
Eu iria me entregar, eu te daria meus sorrisos mais sinceros, minha confiança e minha amizade. Eu te ajudaria a estudar aquela matéria chata e ficaria ao teu lado assistindo aquele jogo chato só pra te ver feliz quando teu time fizesse um gol. Ou não, pode ser que você não goste de futebol e prefira ir ao cinema no final do domingo. Tudo bem, eu te acompanharia e dividiria contigo aqueles meus medos que eu me envergonho de ter.
Mas você não parou. Você continuou andando na frente daquele nosso mar, que você nem sabia que poderia ser nosso. Você não me deixou saber de qual time você gosta ou se você realmente quer fazer aquela mochilão. Você só passou. Não sorriu nem parou.
Ah, se você soubesse que aquele mar era nosso...

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